Vai, bonitinho

Postado em: 18 de setembro de 2015

“Vai, Lindinho!”

“Passa Lindinho, passa!”

“Criatura estranha, como você faz isso?”

“Não gente, não vaia não! Eles são pequenos, tadinhos, vão ficar tristes!”

“Criatura! Como você faz isso? Não tá vendo ali o coleguinha que podia receber a bola? Como você quer carregar sozinho até o gol. Bicho estranho!”

“Como é mesmo o nome daquele ali?”

“Cadê o Alan Patrick? Quem é ele? Assisti uma reportagem no domingo falando que ele é o cara. E ele tá aí jogando?”

Essa sou eu na minha primeira experiência em um estádio de futebol. Foi ontem a noite, Flamengo e Coritiba no Estádio Nacional aqui em Brasília.

Acho que todo mundo em volta sacou que eu nunca tinha entrado em um lugar nem parecido. Primeiro por que entrei olhando tudo com cara de encantada. Cara, é muito lindo! Gigantão assim, imponente. Quase 70 mil pessoas lá dentro querendo desesperadamente gols, gols!

Isso no começo, podia ser 1 x 0. Assim, isso não é resultado que se espera quando o time para o qual você vai torcer está no G4 e o adversário na zona de rebaixamento, mas ao menos isso.

E a torcida gritou e cantou. E eu lá no meio.

“Garoto estranho, vai! Pra frente moço.”

De repente o pênalti.

“Como assim, pênalti?”

E o gol.

“Caraca velho, gol?”

O povo se espanta. Ninguém esperava, né? Estádio lotado, o time vinha embalado de seis vitórias seguidas. Como assim um gol ainda no primeiro tempo?

“Bora menino, bora. É desse lado que faz gol, aqui ó, vem!”

Passou um tempo e gol.

“Poxa velho, de novo? Outro gol? Assim enfraquece a amizade. Eu venho aqui te ver, minha estreia em estádio e você deixa esses meninos fazerem dois gols ainda no primeiro tempo? Mas não faz mal, meu pai diz que 2 X 0 é um resultado muito perigoso. Vocês vão virar!”

E teve pulo e teve grito, e teve xingamento direcionado pra jogador, juiz, bandeirinha, campo, bola. Pra todo mundo. E eu ali batendo palma empolgada e falando: “Vai bonitinho, vai bonitinho.”

Se eu sabia quem era o bonitinho?

Sabia nada. Mas tava gritando: “Vai bonitinho, bora virar esse jogo.”

Mas assim, tinha hora que eu me via gritando sozinha. O povo que usava o “manto sagrado” ficou mudo e eu, tadinha de mim, a paisana, gritando e batendo palma:

“Vai menino, criatura estranha. O gol agora é para o outro lado.”

Tinha hora que eu ficava tímida, né? Só eu ali daquele lado gritando e o povo todo quieto. Ainda mais depois que olhei pra trás e vi que tinha uma moça me observando e rindo de mim! Mas não desisti não. Continuei no meu “Vai, bonitinho.”

Quando as pessoas começaram a levantar e abandonar o estádio, a partir do meio do segundo tempo, eu tentei intervir:

“Não vai embora, os meninos já estão perdendo se vocês forem embora eles ficam tristes. Fica, tá acabando.”

Mas não adiantou. A galera foi levantando e indo embora. Até os mais empolgados do começo da partida.

Teve gol né, e gente que ficou radiante, mas não consegui ver um satisfeito no meio da multidão.

Assim, tenho que confessar que eu esperava mais. O Mengão, né velho, vamos combinar a gente sempre espera show. Mas outra vez, não foi dessa vez aqui no cerrado.

Mesmo assim fiquei feliz, foi dessa vez que eu descobri os encantos de um estádio de futebol. To completamente apaixonada! É certo que eu e minha jequice sentimos falta de um narrador, da repetição do lance. Assim, coisas de gente que só assiste jogo pela televisão. Sabe como é, né? Será que eu queria que tivesse até o sofá de casa?

Não! Também não foi pra tanto. Eu sou jeca quando o assunto é futebol isso é fato. Tinha hora que o estádio inteiro gritava e eu não sabia o motivo. Eles escolheram um moço pra vaiar e eu não vi o menor sentido das vaias. E um monte de outras coisas que foram a maior novidade.

Sinto que preciso de um intensivo em relação aos meus conhecimentos futebolísticos.

A partir de hoje para ampliá-los necessito frequentar estádios, assim, pra aprender a sentir o clima, conhecer o comportamento e mostrar o “Vai bonitinho” pra galera.

Amei a ideia! kkkkk

Bianca.

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