Mau humor, a cura

Postado em: 3 de junho de 2016

flower-1342098_1920Tenho metabolismo de pobre.

Acordo todos antes de o despertador tocar.

Ele está programado para gritar às 5h da manhã e, quando não está, mesmo assim, eu acordo antes.

Vem me dizer que esse relógio que grita no meu juízo todos os dias antes do gritador oficial é ou não é coisa de pobre?

Hoje acordei e antes que abrisse os olhos reconheci que meu mau humor estava acordando comigo.

Ele geralmente é despertado quando alguma coisa o incomoda, mas hoje, justo hoje acordou sozinho, sem que ninguém nem tivesse olhado para ele!

“Quem sabe se eu voltar a dormir, até a hora certa de acordar, ele não pega no sono e me deixe em paz?”

Tentei de tudo que foi jeito e não teve como.

Gritou.

Era hora de abrir os olhos, levantar e ir fazer o que era preciso.

“Droga! Eu assim tenho todos os ingredientes para estragar o meu dia e o dos outros.”

É certo que li em algum lugar que o mau humor é um mecanismo de defesa do organismo.

Quando algo desagradável ocorre, como uma fechada no transito, por exemplo, ele se arma para defender-se do imprevisto. E, com certeza, isso não li em canto algum, ir para o ataque.

Mas e quando você dorme bem e acorda com o bendito grudado? Freud explica?

Saí do quarto com cautela, tentando evitar encontros no caminho para o banheiro. Não queria brigar com ninguém.

Consegui chegar à sala de banho sem qualquer atropelo.

Difícil isso.

Não queria conversar para evitar brigas.

Banho.

Café.

Roupa.

Rua.

Ufa!

A família saiu ilesa ao meu mau humor.

Foi aí que o vi.

“Ai meu pai. O José está na portaria hoje. Há tanto não o encontro, vou ter de falar com ele.”

Não teve jeito.

Antes de chegar, ele me viu e já estava sorrindo. Eu ia ter que ser educada.

Ai que medo de mim!

É, quando estou desse jeito tenho medo de abrir a boca e sair algo indevido.

Meu mau humor é algo sério. De verdade.

“Princesa! Que saudades de você.” Ele disse e saiu da casinha para me abraçar.

Eu, rapidinho, ajuntei toda a educação que minha mãe me deu a vida inteira e fui parar dentro do abraço dele.

“José, meu amigo! Como você está? Pensei que suas férias não iam acabar nunca mais!” Falei sorrindo.

O primeiro movimento muscular nesse sentido do dia.

“Que isso, menina! Foram só 20 dias e passaram voando.”

Quando me despedi dele e já ia colocando meu bico na cara outra vez, dei um encontrão com outra amiga.

Fui obrigada a sorrir novamente.

Saí do prédio sorrindo e, quando me, vi já estava falando “olá” toda toda para todo mundo que passava por mim.

Lá pelas tantas me lembrei do mau humor que havia acordado comigo.

E vi que ele voltara a dormir sem que eu tivesse percebido.

O remédio?

Dessa vez foi me obrigar a sorrir, mesmo sem vontade.

Foram dois sorrisos obrigados e ele não aguentou, fugiu.

Será que achei a cura para o mau humor?

Ao menos para o meu, parece que sim!

1 Response to "Mau humor, a cura"

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