Estratégia da miudinha

Postado em: 16 de janeiro de 2017

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Já reparou os insetos surgem nos momentos e lugares mais inadequados e inconvenientes que existem?

Aparecem sem convite e querem, como se amigos fossem, tomar conta do ambiente, explorando e quase demarcando território.

E, aí, estou eu naquele lugar aonde não convêm ir acompanhado, quando surge a mais asquerosa de todas as criaturas.

Como boa representando do sexo feminino, passei a vida evitando matar baratas.

Elas apareciam, eu gritava e geralmente vinha um cavalheiro que me salvava do monstro alado.

Até que um dia, o invasor surgiu no meu quarto, eu gritei e, na mesma velocidade em que foi o grito, ouvi o retorno:

“Mata você!”

Eu, que queria qualquer coisa menos dormir com a barata, tive que ir à luta e matar o monstro.

Não sei se a pobre infeliz morreu da pancada ou do escândalo, porque foi tanto grito, tanto barulho que é melhor nem comentar.

Desde então, estabeleci um critério:

Caso ela surja no meu quarto, eu mato!

Só que existe a tal mobilidade da criatura.

Com o passar do tempo e inúmeros “Mata você”, comecei a alargar as fronteiras do critério e, agora, quando encontro um monstro, vou lá mato e ainda jogo fora!

Nos dias de hoje sou uma heroína!

E, aí, estou eu naquele lugar aonde não convêm ir acompanhado, quando surge a mais asquerosa de todas as criaturas.

Abandonei meu momento de profunda meditação e fui pra cima da invasora.

Ela era miudinha, a batalha foi vencida com certa facilidade: em pouco tempo a inimiga estava de pernas para o ar.

Demorei alguns instantes para recolher o cadáver e, quando peguei o material necessário, um pedaço generoso de papel higiênico, e me aproximei, surpresa: ela saiu correndo!

Como assim?

Ela estava morta, eu juro que estava!

A bicha saiu correndo com tanta desenvoltura que o poder das chineladas desferidas contra ela caíram por água abaixo.

Foi dado início a uma nova batalha, dessa vez muito mais aguerrida. Ela correu em maior velocidade e minhas chineladas foram desferidas até a completa rendição.

Fiquei admirada com a safadeza da bichinha.

Já pensou?

Fazer-se de morta para me levar a pensar que venci e, depois, continuar a vida tranquilamente?

Vê se pode um trem desses?

Mas certa estava ela. Afinal, quem, na hora da crise, não reinventa suas estratégias, morre mais cedo.

 

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