Sessões de manhã e a tarde

Postado em: 20 de janeiro de 2017

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O vento soprava manso e constante.

Como música, embalava as folhas e flores, que se exibiam singelamente.

Naquele momento, seus cabelos acompanhavam o sentido das flores.

Emoldurando seu rosto, transformaram-no em obra de arte em movimento.

Voltando a cabeça para trás, a fim de afastar da boca a moldura que voava, seus olhos o encontram.

Sempre o admirara em todas as suas nuances, mas naquele dia a beleza do espetáculo diário estava simplesmente fora do comum.

Eram cores que nunca havia visto, ou, se em algum dia vira, não notara com a atenção devida.

Encantou-se e diminuiu o passo, mudou de direção.

Desligou o modo automático e sentou-se sob a primeira árvore que encontrou.

Não podia, não naquele dia, perder um espetáculo tão sublime.

Ao observar encantada os inúmeros tons de cores diferentes que se espalhavam pelo azul do céu, enquanto ele iniciava sua despedida, lembrou-se que eram dois espetáculos diários.

Duas sessões completamente distintas, inéditas.

Todos os dias, em dois horários, em todos os lugares em que estivesse.

Um na chegada outro na partida.

Aconteciam desde sempre.

Esse era o motivo!

Essa era a razão pela qual não se admirava mais: a certeza da repetição, do bis.

Mas não!

Não há repetição.

Nunca.

Cada vinda e cada ida são únicas.

Nada se repetem.

Como tudo que existe por aqui, não há como repetir.

Aquele que, agora, à sua frente acontecia era absurdamente inigualável.

Lindamente inigualável.

Consciente do privilégio, parou de divagar e se deteve apenas em admirar o espetáculo inédito que ali acontecia: aquele belo por de sol que jamais se repetiria.

 

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