Cuidando do outro

Postado em: 17 de maio de 2017

Todas as tardes, faltando 10 minutos para as 16h, a Tia ajudava sua turminha a guardar todo material.

Eles fechavam os vidros de cola, devolviam os lápis para os potes no centro das mesas, recolhiam os papéis que estivessem no chão.

Quando faltavam dez minutos para a música tocar, anunciando aos quatro ventos que era hora do lanche, aquele tanto de gente pequena formava duas filas: uma de meninos e outra de meninas.

Já era o mês de maio, todos já haviam aprendido seus lugares no trenzinho.

A fila para aquela turminha era um espetáculo à parte.

Todos eles foram alinhados no primeiro dia de aula:

“Olhem queridos, quando todos forem sair da sala ao mesmo tempo, sairemos assim: um atrás do outro para não nos perdermos. Veja quem é o amiguinho que está à sua frente, veja quem é seu amiguinho que está atrás de você. Todas as vezes em que fizermos fila, você deverá estar à frente e atrás dos mesmos amiguinhos. Tudo bem?”

Todos concordaram.

Naquela ocasião, quando a fila foi feita a primeira vez, lá em fevereiro, eles foram ordenados do maior para o menor quase que milimetricamente.

Agora, indo longe o mês de maio, a fila mais parecia ser de dentes de um crocodilo: criança menor atrás de criança maior, maior na frente de menor. Uma festa!

Alinhar a Tia até já tinha tentado, mas foi tanto choro e desespero quando eles descobriram que o coleguinha da frente ia ter que mudar de lugar e que o de trás também, que ela desistiu.

E foi assim que a turma do Maternal I passou a ser conhecida como Croc, de crocodilo.

Todos os dias, no horário de sempre, lá iam os pequenos dentes de crocodilo ao banheiro.

Chegando, eles esperavam bonitinhos a hora de lavarem as mãos.

É que ainda não conseguiam tirar toda a cola, tinta e afins das pequenas mãozinhas.

Diariamente, a Tia lavava as mãos de um por um enquanto falava da importância de comerem com as mãos lavadas e absolutamente limpas. Afinal, não havia problema em se sujarem enquanto trabalhavam, mas era preciso mãos limpas na hora do lanche.

E, assim, a Tia lavava caprichosamente entre os dedinhos, esfregava delicadamente as palmas e costas de cada uma daquelas mãozinhas gordas e rechonchudas.

Depois, enxugava com o mesmo carinho e os conduzia para a fila novamente.

Todos os dias, a Tia chegava ao banheiro com as mãos tão sujas quanto as de seus alunos.

Após cuidar carinhosamente de todos os pequenos ela simplesmente secava as próprias mãos.

Não tinha o que limpar, enquanto fazia pelos pequenos, também fazia por si.

“Mostrem as mãos!”

Todos esticavam os bracinhos com as mãozinhas espalmadas.

“Todas as mãos limpas?”

– Sim – respondiam as crianças alegremente.

“Então, vamos lanchar.”

 

 

 

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