Arquivos de junho 2017


Eu não sei aí na sua Terra, mas, aqui no cerrado, tá um frio de congelar calango.

18ºC!

Tá bom, você aí, que conhece temperatura negativa, vai dizer que isso não é frio.

Pra mim é!

E muito.

Aí, nesses dias congelantes, eu me encanto com a água quente que sai do chuveiro.

Se é novidade pra mim?

Sempre é!

Não me acostumo com algumas coisas do cotidiano, como água quente saindo do chuveiro e desaparecendo pelo ralo, avião com todo aquele peso voando e com fax.

Fax?

Quem se lembra de fax na era da internet, onde mensagens vão e vêm à velocidade da luz?

Onde as pessoas carregam computadores potentes no bolso e conseguem fazer tudo de dentro do banheiro?

Eu!

Eu me lembro do fax e ainda sou impressionada de como seu garrancho aparece em um papel lá longe saindo de uma máquina!

Como assim, minha gente?

Só pode ser mágica!

Sou impressionada também com as pontes.

Como é possível construir pontes no meio do oceano e, por elas, passarem toneladas e toneladas em segurança?

Os prédios…

Centenas de pessoas morando uma sobre a outra e colocando dentro de cada gaiolinha suas vidas.

Elas sobem e descem o dia inteiro e tudo se dá sem que ninguém caia em cima de ninguém.

Já pensou?

Só pode mesmo ser mágica!

Encantador estar cercada por milhares de pequenos passes de mágica todos os dias!


No mundo existem pessoas que acreditam piamente que tudo que pode dar errado vai dar errado, são as pessimistas.

Existem aquelas que são extremamente calculistas, trabalham com as evidências, prós, contras e, a partir deles, tiram suas próprias conclusões.

E existem as otimistas.

Fora de todo e qualquer padrão, elas são inevitavelmente um ponto fora da curva.

O mundo está se acabando, tudo, tudo, absolutamente tudo dando errado e a otimista consegue ver alguma coisa boa e acreditar que tudo vai dar certo.

Ela consegue achar em meio aos escombros da vida um pontinho verde onde pode ancorar sua esperança exacerbada e, a partir dele, seguir em frente.

Quando tudo que ela tem é um limão, um copo de água e uma colher de açúcar, faz uma limonada e segue feliz.

E, assim, ao contrário daquele que nada vê de bom ou de quem só consegue ver bonança no que está explicito, enxerga além da realidade.

Ao invés de ver o que está, consegue vislumbrar o que pode se tornar.

E, assim, a vida traz o que há de melhor, pois é isso e somente isso que ela espera.

Afinal, quem consegue ver o sol em meio às nuvens sente na pele o seu calor e faz maravilha com aquilo que hoje tem em mãos.

Valoriza não só o que é, mas o que pode se tornar, o que um dia será.

Desejo que você seja, só por hoje, otimista, feliz com o que é e certo do que um dia será!

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Existem milhares de coisas que fazemos todos os dias que não deveriam ser tratadas com normalidade, pois não são nada naturais, mas é exatamente assim que fazemos.

O tratamento que damos ao nosso corpo talvez seja nossa maior fonte de exemplos. Ou quem sabe o jeito que lidamos com o tempo.

Repare só:

Você passa o dia inteiro procrastinando e deixando isso e aquilo para depois. Atividades que precisam ser realizadas dentro de um determinado grupo de 24h, no caso esse que está vivendo agora, e, quando ele está prestes a terminar…

Bem, quando as 24h que foram designadas para a realização daquela atividade estão quase no fim, bate aquele desespero e a corrida começa.

O corpo, cansado por ter feito tudo aquilo que poderia ser deixado para depois, agora tem que se deter no que realmente importa.

E, com o fim das 24h e o começo das próximas, o sono vem, porque ele sempre vem lá pelas tantas.

Mas Você, pobrezinho, não pode dormir, é preciso produzir.

E para que isso aconteça, bebe isso, aquilo e aquilo outro.

Tudo para manter a parte debaixo do olho separada da parte de cima por mais tempo.

E a produção acontece.

Poderia ter sido melhor?

Claro que sim.

Se o tempo que foi gasto sem critério tivesse sido usado de maneira adequada, tudo seria feito de um jeito mais eficiente.

E assim, Você sacrifica o tempo, depois sacrifica o corpo.

Sacrifica as atividades e a única recriminação que talvez venha a receber é por não ter feito isso ou aquilo da melhor maneira.

Nunca ninguém cobra sobre o tempo mal utilizado, sobre o corpo mal-tratado.

Não é natural o que se faz com o tempo, com corpo…

Mas é normal: usar mal o tempo e, depois, por isso, judiar até do próprio corpo.

Use bem o tempo, cuide do seu corpo.

Faça ser normal o que é natural.

 

 


“Tá bom assim mesmo.”

– Sério?

“Claro. Tá bom demais assim.”

– Mas acredito que consigo fazer melhor.

“Será?”

– Certeza de que posso fazer melhor do que isso.

“Mas não precisa, deixa como está.”

– Não! Eu quero melhorar nesse ponto aqui ó.

Ela olha com visível desdém:

“Deixa isso quieto, garota. Nunca ninguém passou desse ponto.”

A garota admira-se:

– Exatamente por isso! Nunca ninguém passou desse ponto e eu posso passar. Tenho ideia, disposição e tempo hábil para ir além.

“Não precisa. Eu não vou te pagar a mais por isso, nenhuma outra pessoa vai notar, sequer enxergar. Larga mão desse negócio e vai fazer outra coisa.”

Quanto mais Ela falava mais a Garota se indignava:

– Até aqui pra você está bom. Não pra mim. Já tem algum tempo que decidi viver fora da caixinha, decidi ver além, ir além. Todos só vieram até aqui? Que bom! Tenho um longo e solitário caminho a desvendar. Com sua licença, o mundo me espera.

Deu as costas e foi além!

Voltou antes de dar cinco passos:

– Esqueça o seu “será”, posso sim fazer muito mais e melhor que tudo isso!


Admiro quem não perde a capacidade de se encantar.

Quem não coloca no campo da normalidade o nascer e o pôr do sol, as flores, pássaros, festas e pessoas.

Amo estar com quem vive se encantando, oferecendo combustível para que os olhos brilhem, as penas bambeiem.

Admiro quem não perde a capacidade de se indignar.

Quem não coloca no campo da normalidade o desamparo, a solidão, a fome, o abandono.

Amo estar com quem vive se indignando, tomando providências para que os olhos de outras pessoas voltem a brilhar.

Acho que essas duas capacidades deviam andar sempre de mãos dadas.

A admiração e a indignação.

Quando encontram-se, tudo em volta é valorizado, o que não dá para ser enaltecido é modificado.

De mãos dadas, tem-se combustível suficiente para que todo ser vivente se alegre, corra, cante, lute…

Ao andar sorrindo e leve pela vida, conhecendo o belo, fica mais fácil identificar o que faz sofrer e mudar a realidade do que bem não está.

Admire-se!

Indigne-se!

Faça a diferença.

 

 

Feliz dia dos namorados

“Feliz dia dos namorados!”

– Ah! Muito obrigada, que o seu também seja doce.

“Doce?”

– É. Doce, lindo, azul, salpicado de corações, como queira.

“Assim sim, por que doce não, estou de dieta.”

– Dieta? Que bom. Sucesso pra você.

“Que bom? Você acha mesmo que estou precisando de dieta?”

– Se está precisando de dieta? Não sei. Acho que não. Por quer a pergunta?

“Você me desejou sucesso.”

– Desejei sucesso por estar envolvida em um projeto e se você está realizando alguma coisa desejo que se dê bem, tenha sucesso.

“Realizando alguma coisa? Está por acaso insinuando que eu não faço nada em minha vida?”

– Eu disse isso?

“Falou que “já que está realizando alguma coisa…””

– Força do hábito: desejo sucesso a todos que passam por mim, para que as pessoas sejam realizadas, felizes. Sabe como é, gente feliz não enche o saco.

“Puxa vida, você realmente é uma pessoa grossa, sem coração. Eu desejo a você um sorriso simpático e um Feliz dia dos namorados e você me chama de gorda, diz que não faço nada na vida e para arrematar me declara infeliz e que estou enchendo o seu saco. Na verdade agora eu quero que você se exploda!

Disse isso e virou as costas.

A pobre alma que havia desejado “um dia doce” somente para introduzir a conversa e oferecer um de seus brigadeiros gourmet, ajuntou seu espanto adocicado e foi vender em outro lugar.

– Pessoa maluca!

 

 


Já se encontrou com alguém e ao perguntar:

“Como está a vida?”

Recebeu como resposta:

“Daquele jeito”?

Você fica sem saber se “daquele jeito” é o mais maravilhoso dos jeitos que alguém pode viver ou se “daquele jeito” é o mais tenebroso e sinistro de todas as maneiras que existem.

Ao usar “daquele jeito” para definir como está a própria vida, a pessoa em questão abre um leque de opções e terceiriza a definição de seu estado.

Ela responde dessa maneira mais aberta impossível e você, pobre coitado, fica desesperado tentando fazer uma leitura do que não foi dito nem demonstrado.

Procura no tom de voz, no meio sorriso, na linguagem corporal, enfim, em qualquer coisa, em qualquer pista do discurso não dito, o que quer dizer “daquele jeito”.

Algumas vezes consegue decifrar, após perceber rapidamente uma levantada de sobrancelha, que o “daquele jeito” é o jeito que a criatura sempre sonhou viver.

Outras, sai de perto da pessoa sem entender ou saber nada de nada.

Aí, ao chegar à casa, comenta:

“Encontrei com Ele hoje na rua.”

– Sério? E como Ele está?

“Daquele jeito.”

E a segunda pessoa, assim como você, tem a chance de ressignificar o jeito daquele.

É sorte de quem daquele jeito está quando cada um que ouve sobre a maneira em que se encontra a criatura não sai espalhando sua própria interpretação do que nem sempre foi dito.

Quando a coisa acontece exatamente ao contrário, o indivíduo que naquele dia de sol amanheceu “daquele jeito” fica sabendo tempos depois que está na verdade onde e como nunca esteve.

Por isso, cuidado, você aí que amanheceu hoje assim desse jeito.

 

 

“Então quer dizer que você quer que eu o ataque?”

– Pois é, que você o ataque, mas de leve.

“Você sabe mesmo o que significa um leve ataque feito por mim?”

– Acho que sei Sr. Infarto. Um leve ataque feito pelo senhor dá um susto tremendo em quem o leva e, depois, a vida segue normalzinha, apenas com algumas mudanças radicais.

“Garota, você não entende nada quando o assunto é a minha pessoa. Eu não vou atacá-lo só por que você quer. Não! Nunca!”

– Posso até não compreender o que faz de verdade, apenas sei que o coração que o tem continua funcionando com as outras partes que não foram pelo senhor lesionadas. E sei também das consequências que traz à vida de quem passa pela experiência e se salva. Vai por mim, Ele está precisando.

“Ele está precisando por quê?”

– Ele precisa do sustinho, do medo da morte. Mas, por favor, nada mais que isso.

“E por que você veio até mim fazer essa petição? Não gosta do moço?”

– Aonde??? Eu o amo! Mas Ele não cuida da saúde. Não faz exercícios, come todo tipo de porcaria, nunca vai ao médico fazer os exames de controle, fuma feito uma caipora.

Além de ter uma vida toda desgrenhada: desorganizado, empurra tudo com a barriga, deve até o que não tem e não dá a menor atenção à família.

“E o que te faz acreditar que um ataque meu o faria mudar de rumo?”

– Li, dia desses, a história de um senhor de 80 anos que teve um encontro com a sua pessoa aos 40. Ficou tão assustado que radicalizou: parou de fumar, passou a fazer exercícios, cuidar da alimentação, relacionar-se direito com sua família e, 40 anos depois, estava o maior gato, todo feliz e satisfeito. Tudo porque, um dia, ficou com medo de ter o coração arrasado pela sua pessoa. Entendeu agora o meu apelo?

“Entendi. Vou dar uma olhada no moço.”

– No começo da semana tive uma conversa séria com Ele, sobre todas essas mudanças que é preciso ter para uma vida mais saudável. Então, espera aí umas quatro semanas. Caso não mude nada, o senhor entre em ação. Mas por favor, de leve!

“Pode deixar.”

Olha aí, combinei com o Sr. Infarto, caso você não tome um rumo em quatro semanas…

Não esqueça que eu te amo.

Beijos.

 

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Esperando o quê?

O que Você está esperando para organizar sua casa?

Lavar, passar e guardar todas as roupas, manter a casa limpa e arejada?

O que Você está esperando para parar de andar com os cabelos sujos?

Mantê-los cheirosos, com o volume que lhes é natural, sacudindo vida a fora?

O que Você está esperando para deixar de comer tanta besteira?

Abandonar o açúcar em excesso, esse tanto de fritura, massas e embutidos?

O que Você está esperando para começar a fazer exercícios?

Começar a subir de escadas em vez de usar o elevador, ir ao trabalho de bicicleta, deixar o carro descansar enquanto sua pessoa usa os cambitos como meio de transporte?

O que Você está esperando para largar o cigarro de vez?

Ir parando devagarinho, menos um a cada dia até chegar à hora do abandono definitivo?

Já sei! Está é esperando levantar uma manhã e não ter sequer uma peça de roupa limpa para usar e, junto com todas suas roupas sujas, encontrar os bichinhos do abandono morando com Você em sua casinha.

Quanto aos seus cabelos, deixe desse jeito para um dia estar andando na rua e ficar com as mãos mais tempo na cabeça do que qualquer outro lugar e, enquanto coça, levantar da sua nobre cabecinha um aroma mais desagradável que tudo.

Quando ao assunto, é o apego ao açúcar e todas as gostosuras da vida que  fazem você cada dia menos saudável, só posso acreditar que está esperando é receber o resultado dos exames e se descobrir diabético, hipertenso, com colesterol e triglicéride em níveis altíssimos. Estar assim, à beira de um siricutico.

Já os exercícios, quando se descobrir assim, todo lascado por dentro e, ao olhar no espelho, se deparar com o boneco da Michelin, quem sabe seja a hora de começar a pensar em ir a pé até a padaria.

E o cigarro?

Seu companheiro de tantos anos , não pode ser abandonado sem um evento prévio para servir de rito de passagem.

Por isso, já que não adiantaram todos os apelos que tenho feito ao longo do tempo para que Você tome uma atitude e faça alguma coisa em prol da sua rotina, sua casa, sua saúde e modo de viver, desejo à sua pessoa um infarto.

É, um infarto daqueles leves, bem leves só para que Você se assuste.

Sendo assim, depois de  meu desejo se cumprir, enquanto se recupera,  Você poderá decidir de verdade cuidar da própria casa, dos seus cabelos, da sua alimentação e forma física, além de abandonar os vícios.

E, quando sair do hospital, completamente restabelecido, não se esquecerá jamais do medo que teve da morte e, aí sim, vai tomar um rumo na vida e , enfim,  começará a se cuidar!

Por favor, não fique com raiva, meu desejo é por que amo você.

Fica a dica!

Beijos.


“Você quer?”

– Só um pouquinho.

“Você tem?”

– Só um pouquinho.

“Você é?”

– Só um pouquinho.

“Você pode?”

– Só um pouquinho.

E, assim, lá vai Ela, um pouquinho aqui, um pouquinho ali, um pouquinho acolá.

Querendo um pouquinho, tendo um pedacinho, sendo um tantinho, podendo um tiquinho.

O tempo passou, os anos vieram e, quando estava perto do fim, escutou:

“Você viveu?”

– Fiz de conta, só um bocadinho.


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