Arquivos de julho 19th, 2017

Existem várias maneiras de tirarmos o nosso da reta, nos eximir da responsabilidade, fazer de conta de que a história não nos diz respeito.

Mas isso é feio, muito feio.

Então, para corrermos e ficarmos bem na fita, falamos assim:

“Caso precise de alguma coisa, qualquer coisa ligue pra mim.”

Pronto – pensamos – já me coloquei à disposição. Ele agora sabe que estou aqui para o que der e vier.

Falamos isso, viramos as costas e vamos ao shopping aproveitar “aquela” promoção.

E, quando, meses depois, encontramos um amigo em comum…

“Tem visto Fulano?”

– Vi só aquele dia, na despedida. Falei pra ele que se precisasse de alguma coisa era só me telefonar, mas meu telefone nunca tocou.

Como assim, cidadão?

Seu amigo sofrendo luto, desemprego, abandono, doença e você simplesmente se coloca á disposição?

Algumas pessoas acham que se baterem à porta do amigo sofredor com uma panela de sopa e forem fazendo o que for preciso em sua casa é invasão.

Pensam que chegar sem ser chamado e fazer sem ser solicitado é violentar a individualidade da pessoa.

Talvez quem pense assim tenha razão.

Mas pode chegar com a panela de sopa em uma noite fria e levar seu abraço, seu ouvido, seu conforto, seu silêncio.

Chegar sem ser chamado e, mesmo assim, não invadir.

Mostrar àquele que não te chamou que, mesmo sem ser convidado, você, o amigo, preocupa-se de fato. Está presente de verdade para tudo, inclusive nada.

Fazer mesmo sem esperar uma solicitação formal com dia e hora marcados para execução.

Abandone o “telefone caso precise” e telefone você, vá atrás você, pois quem precisa de carinho e atenção nesse momento é aquele que sofre e não o possível consolador.
 

 


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