Use a seta

Postado em: 7 de setembro de 2017

Use a seta

Aqui tem um monte de lugar que é assim: vêm três faixas o caminho inteiro, às vezes até quatro, aí, quando chega lá na frente, de maneira “mágica” e “inesperada” uma das faixas desaparece e o que eram  três, por vezes quatro, viram duas.

E, aí, começa o drama.

Essa que se localiza aqui no quadradinho é muito bem sinalizada.

Ao contrário da acusação feita acima, antes da faixa sumir, desaparecer, há sinalização na pista: aquela setinha no chão apontando para a direita, mostrando para quem quiser ficar sabendo que, mais metro menos metro, aquela faixa vai acabar.

Mas as pessoas não olham para o chão!

É certo: algumas delas não conhecem o caminho e, quando se dão conta, as setinhas estão gritando:

“Vou acabar! Tô acabando! Saia daqui!”

Aí, já estão lá no fim e têm que contar com a misericórdia de alguém para deixá-las ir para um lugar onde consigam continuar andando.

Essas pessoas desavisadas geralmente dão seta, pedem passagem, agradecem quando recebem a gentileza.

Agora os que já são acostumados a rodar ali todo dia e, quando a faixa acaba, simplesmente querem entrar na sua frente à força…

Esses, eu juro, dá vontade de descer do carro e esmurrar!

Dia desses, estava eu chegando a Taguatinga pela EPTG –Estrada Parque Taguatinga – quando a faixa da direita acabou.

Eu vim pela faixa do meio o tempo todo, suportando o engarrafamento e os carros que quebravam à minha frente.

Resisti bravamente para que, quando chegasse ao afunilamento fatal, não tivesse de atrapalhar a vida de ninguém.

Lá pelas tantas, ele com suas 18 rodas passou por mim, todo pimpão. Passou que eu nem vi.

Quando chegamos ao lugar onde todos se encontram, nos encontramos, fatalmente.

Alguma coisa aconteceu no meu dia, não vou saber te dizer o que foi, só sei que, justo quando meu “inimigo” tinha 18 rodas, eu resolvi que não iria dar passagem.

Era muito desaforo: ele vem pela faixa mais livre por que é mais rápido e, quando chega aqui, acha que tem o direito de entrar na minha frente.

Não tem.

Ele, com a educação que é peculiar a algumas criaturas que dirigem carros enormes, foi se enfiando à minha frente.

Seta?

O que vem a ser seta?

Ele não conhecia.

Um sorrisinho, um aceno, uma olhadela pelo retrovisor, qualquer maneira de transmitir gentileza?

A isso o moço em questão nunca fora apresentado.

Quando ele viu que eu realmente não ia deixá-lo passar, resolveu me xingar.

Colocou a cara pra fora, olhando para trás e acelerando, afinal ele quis fazer tudo de uma só vez: xingar, entrar na minha frente e acelerar,  e quase bateu no carro à sua frente.

Eu, quando vi que acabara de ser vencida, comecei a gesticular e gritar desesperadamente, tentando evitar que ele batesse no pobre inocente que estava à nossa frente.

Consegui.

Ele também conseguiu o que queria e foi embora.

E eu tontamente fiquei remoendo a atitude do troglodita:

Que motivo leva a criatura a juntar toda a sua falta de educação e ainda esquecer de dar seta?

Encontrar alguém que use a seta no momento de necessidade é coisa tão rara que a gente até esquece toda essa cacarecagem acima descrita ao encontrarmos alguém que o faça.

Esse daí mesmo podia ter feito tudo igual, mas usasse a seta!

 

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