A equilibrista

Postado em: 7 de Fevereiro de 2018

Havia chovido o dia inteiro.

Desde o amanhecer até aquela hora, o fim da tarde, o céu derramara toda água acumulada nos últimos dias.

Mas para que aquele dia de férias não fosse perdido, no finzinho o sol resolveu dar o ar de sua graça.

Como se fosse mágica a água que lavara a rua desapareceu os passarinhos começaram a maior festa e o sol, todo sorridente parecia que sempre estivera ali.

Quando as Meninas olharam pela janela e viram toda aquela festa correram até a mãe e pediram para irem à praça.

A praça era o lugar preferido para os fins de tarde.

A mãe que tivera duas criaturinhas tristes por estarem engaioladas durante todo o dia topou a ideia correndo, e assim as três foram felizes á praça.

Lá chegando as Meninas logo encontraram os coleguinhas e começaram as brincadeiras de todos os dias.

Até que lá pelas tantas, Menininha viu a Garota.

Garota andava rápido, muito rápido, no cantinho da calçada.

Braços abertos, coluna ereta, olhava para frente e andava sempre no mesmo ritmo.

Menininha resolveu se aproximar para descobrir por que ela andava de braços abertos.

Foi chegando perto e só então viu que Garota estava andando no meio fio.

Que bacana!

Como se fosse uma equilibrista de circo ela andava desenvolta, apresentando seu espetáculo a quem quisesse assistir.

Menininha foi acompanhando de perto.

Sem encostar, sem atrapalhar.

Foi nessa hora em que ela estava completamente encantada com as habilidades da outra que veio um Menino correndo e deu um empurrão na Garota.

Ela esticou mais os braços, levantou o quanto pode uma das pernas, balançou o corpo tentando encontrar o ponto de equilíbrio perdido, mas mesmo assim não teve jeito: caiu.

O Menino empurrou e saiu correndo, mas ainda viu que Garota caiu lentamente como florzinha quem vem bailando da árvore bem alta até encostar ao chão majestosamente.

“Você se machucou?” –  Perguntou Menininha assustada.

* Não! Estou bem. – Disse ela sorrindo.

“Por que ele fez isso?”

*Aaa ele é bobo. Diz que não sou equilibrista de circo pra ficar me exibindo assim. Eu não sou hoje, mas um dia serei.

“Equilibrista de circo? O que é isso?”

*É um pessoa que fica lá no alto – disse apontando para o céu – andando em cima de uma corda. Lá em cima não tem ninguém para empurrá-la e assim ela vai de um lado para o outro.

“Sério? E você está aqui treinando?”

A Garota sorriu, passou a mão na cabeça da Menininha e disse que sim.

“Eu posso ser equilibrista aqui no seu circo?” – disse Menininha já transformando a praça em circo.

A Garota pensou rapidamente e em trinta segundos o circo já estava pronto e iluminado.

Lá no alto a corda esticada e embaixo uma rede de segurança:

*Você ainda está aprendendo, não pode ir para o alto sem a rede de segurança.

A Menininha parecia insegura, era sua primeira vez como equilibrista:

“E se eu cair?”

Garota mais experiente era a confiança em pessoa:

*Não se preocupe. É só andar com os braços esticados, queixo levantado e olhos fixos lá na frente. Também, se você cair tem a rede de segurança, ela não vai deixar que se machuque.

Menininha não parecia assim tão confiante e por isso Garota, equilibrista experiente que era a desmontou rapidamente o circo e voltou para o meio fio da praça:

*Vamos treinar aqui no meio fio antes que o espetáculo comece. Eu te ajudo.

E segurando a mão de Menininha, Garota foi passando a ela toda sua confiança.

Depois de poucos metros Menininha já andava sozinha e com desenvoltura.

*Acho que podemos começar o espetáculo, Menininha.

Ela arregalou os olhinhos encantados:

“Estou pronta para me apresentar no seu circo?”

*Claro que está! Depois de mim você é a maior de todas as equilibristas deste circo.

O circo foi novamente armado: luzes com efeitos, rede de segurança, lotação máxima.

Garota tomou o lugar do mestre de cerimônias e anunciou:

*Senhoras e senhores, com vocês Garota e Menininha, as maiores equilibristas da Terra!

Elas entraram, agradeceram, subiram pela escadinha solta 25 metros e começaram o show.

Luz só existia para iluminar as duas.

*Você primeiro, Menininha. – Falou baixinho Garota.

Ela foi, um pouco vacilante, mas foi.

A plateia em silêncio e expectativa.

Em poucos minutos ela atravessara toda a corda.

Todos aplaudiram de pé.

Menininha nem acreditava que havia se saído tão bem.

As luzes se acenderam, ela agradeceu emocionada.

Todo o clima foi retomado e Garota começou seu espetáculo.

Menininha do outro lado da corda esperava ansiosa a chegada de sua companheira.

No tempo determinado ela chegou, flutuando como uma pluma.

Se abraçaram.

Mais uma vez muitos aplausos.

Nessa hora ao longe ouviu-se uma voz familiar:

– Menininha, hora de ir.

No mesmo instante as luzes se apagaram, a plateia sumiu, circo desarmado e elas de volta à praça.

“Preciso ir, Garota. Mamãe está me chamando.”

*Tudo bem, Menininha, amanhã fazemos outro espetáculo.

E assim uma equilibrista voltou para casa enquanto a outra foi jogar bola com o irmão.

 

 

 

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