Arquivos de Fevereiro 2018

Tinha a opção de deixar tudo como sempre fora e conviver com a dúvida e a incerteza para sempre. Resolveu que era hora de agir.

 

A verdade era tudo que Ela queria.

Não importava se seria dolorida ou fácil de encarar, precisava conhecer a verdade sobre os fatos.

Parecia ser algo simples, mas é que não havia nada mais complexo do que chegar até lá.

Antes de sair a sua procura, certificou-se de que aguentaria o tranco de todas as consequências que suas descobertas poderiam trazer.

Sabia que aquele era um caminho sem volta.

Caso realmente saísse à procura, a realidade faria dela alguém completamente diferente.

Teria que tomar decisões drásticas, talvez, mudar o rumo da própria vida.

Tinha a opção de deixar tudo como sempre fora e conviver com a dúvida e a incerteza para sempre.

Resolveu agir:

Ajuntou as provas, endereços, fotografias que tinha e foi à luta.

Foram meses de telefonemas, visitas a endereços que já não existiam, até que, depois de meses de trabalho, lá estava Ela com um papelzinho na mão com nome completo, endereço e telefone.

Agora faltava apenas a coragem de discar, visitar, escutar a voz.

Toda a coragem que havia surgido no começo da busca se perdera.

Quando passou a ter na palma de sua mão tudo o que sempre procurara, o medo a paralisou.

“Por que mesmo você quer descobrir isso? O que vai mudar em sua vida? Você pode agora, telefonar em datas especiais, ir visitar uma ou duas vezes ao ano ou simplesmente sair de lá e nunca mais voltar. Ninguém é acostumado com ninguém mesmo, então, o aparecimento repentino da sua pessoa não mudará nada na vida de quem vai se fazer conhecer nem na de quem vai ser conhecido.”

Tudo isso passava por sua cabeça enquanto olhava fixamente para aquele papel.

Em outro momento, veio a ideia de que todos aqueles dados poderiam ser falsos, que seria mais um telefonema infrutífero e apenas a volta à estaca zero.

Podia ser.

Ou não.

Respirou fundo e discou os números.

Enquanto esperava ser atendida, seu coração parecia que ia sair pela boca.

“Alô?”

E antes que respondesse a qualquer coisa, Ela teve a certeza de que sua vida teria para sempre um novo e permanente integrante.

A busca terminara e, não importava o que aconteceria dali para frente, valeria a pena.

 

 

Mesmo com todas as dificuldades Você continua andando, afinal aquele foi o caminho que escolheu para sua vida. Até que surge o maior de todos os buracos.

 

E, aí, Você está andando por um caminho onde nada dá certo.

Vamos usar a metáfora do caminho e cada uma das coisas negativas que eu falar Você coloca aí uma pendenga que tem aparecido na sua vida.

Pode ser?

Vamos lá:

O caminho pelo qual tem andado é um tanto largo e bem arborizado, pássaros cantando e acima dele o céu é sempre azul.

Durante o dia, sol brilhante e nuvens na medida certa para que tenha sombra suficiente.

À noite, estrelas espetaculares, a lua que mostra a cara em cada uma de suas fases.

Mesmo assim, a caminhada não é fácil.

O caminho, mesmo sendo largo, é tortuoso e muito, muito pedregoso e esburacado.

Em alguns momentos, existem abismos de ambos os lados e as curvas parecem que nunca acabarão.

As pessoas que por ali transitam têm o semblante dos que, continuamente,  desejam o mal a quem por elas passam.

Armadilhas estão por toda a parte e tudo é tão perigoso que é nítida a impressão de que, a qualquer momento, será o fim.

Por mais que Você tente fazer algo produtivo em algum canto daquela estrada pedregosa, nada dá certo.

Nada prospera.

Mesmo assim, continua andando, continua tentando.

Desvia-se de uma armadilha aqui.

Pula um buraco ali.

Segura forte, muito firme, no galho de uma árvore para não despencar em um abismo que surge do nada e segue em frente.

Quando se rende ao cansaço, para.

Senta à sombra de uma árvore e tenta descobrir o motivo pelo qual nada, nada dá certo naquele caminho.

Vê todas as possibilidades e conclui que aquele caminho, por mais difícil que pareça, foi o que Você escolheu e, por isso, continua.

E lá vai a sua pessoa: caindo, levantando, dando cabeçada.

Ora chorando, ora rindo, mais chorando do que rindo, mesmo assim, ainda caminha.

Até que, lá pelas tantas, dá um tropeção tão grande e cai no mais profundo de todos os buracos.

Lá no fundo, enquanto procura a corda que leva para situações de emergência, encontra seu plano de ação.

Aquele plano tão detalhado que fez antes de começar a caminhada, antes de tomar aquele rumo na vida.

Lê cada um dos itens anotados, cada um dos objetivos traçados e olha para os lados.

A cada item analisado, percebe que está longe, muito longe daquilo que definiu como meta.

Por um momento, se dá conta de que está fazendo tudo errado.

Caso continue andando naquele ritmo e, principalmente, naquela direção, jamais as coisas darão certo, jamais chegará aonde pretende.

Analisa rapidamente e se dá conta de quantos atalhos trilhou, percebe o quanto se adaptou de maneira negativa a sua rota, de como se desviou dela.

Enquanto observa o plano que deveria ter seguido, vê um recado escrito a mão:

“Filho, seu planejamento está bem feito e você alcançará os resultados que pretende caso o siga. Mas se, em algum momento, perceber que está perdido ou no rumo errado, não hesite: reveja o mapa, as estratégias e comece outra vez.”

Acabando de ler isso, Você dá o maior de todos os pulos, em poucos, minutos sai do buraco e começa a correr.

Na sua correria desesperada, procura o lugar onde se desviara do seu rumo original.

Por milagre dos caminhos tortuosos, encontra o exato lugar onde as coisas tomaram o rumo do desandar.

Ali, você respira, conversa com o Criador, descansa e, depois de refletir sobre seus muitos erros e alguns acertos, depois de curar algumas das feridas, se levanta para ir de novo.

Começa devagar.

Devagarzinho.

Um passo de cada vez.

Não há o que falar em recomeço, não é recomeço.

É começo de novo.

É novo caminho.

O rumo certo.

Mesmo sendo um rumo novo, agora certo, o caminhante é o mesmo, já cansado, calejado, ferido.

Tudo parece ser tão difícil que a ideia de ficar parado à beira do caminho, esperando sabe-se lá o que, parece ser o mais sensato.

Mas não pode.

Esse seria o mais deplorável de todos os fins.

Pensando que esse não é o fim que deseja para si mesmo, continua.

Com a caminhada nesse novo rumo, desse novo jeito, as coisas começam a mudar.

Quando os resultados do caminho novo começam a aparecer, a alegria é tanta que você nem mais se lembra do que causara aquelas cicatrizes.

Feridas?

Existiram, mas, agora saradas, mostram apenas na pele que, um dia, Você teve coragem de admitir que estava no caminho errado, voltar e seguir o novo, o certo.

Começar de novo é para os fortes é pra gente como Você.

Feliz tudo novo de novo!

Vivi Antunes é ajuntadora de letrinhas e assim o faz às segundas, quartas e sextas no www.viviantunes.com.br

 

 

 

 


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