Um ano em um trimestre – alinhamento de rota

Postado em: 2 de Abril de 2018

Algumas vezes se faz necessário alinhar a rota para continuar.

 

No dia 26.12.2017 Ela planejou que o ano de 2018 seria dividido em trimestres.

Planejou, contou para alguns amigos e juntos montaram um grupo de apoio: Um ano em um trimestre.

No grupo, cada um tinha e era o Anjo de alguém.

O Anjo era aquele que motivava e ajudava  o “protegido” a não perder de vista o objetivo, a manter o foco.

Os primeiros 15 dias do ano foram magníficos: mensagens de incentivos iam e vinham, as tarefas traçadas eram realizadas dia a dia e parecia que ia dar certo.

E Ela, todos os dias pela manhã se lembrava de que seus objetivos eram chapar a barriga, aprender de fato a língua portuguesa e decorar os taquigramas do método Oscar Leite Alves.

Levantava pensando nisso e, todas as noites, antes de dormir, reforçava o objetivo, além de planejar direitinho a que hora faria as atividades relacionadas a cada um deles no dia seguinte.

Acontece que, numa noite, Ela deitou tão cansada que nem se lembrou do “trio calafrio”, só deitou e apagou.

Quando acordou no outro dia, atrasada, levantou-se correndo e começou a vida, sem nem parar para pensar neles.

Foi vivendo atropeladamente e, pela primeira vez em 15 dias, não fez nada que a ajudasse a chegar mais perto de seu objetivo.

Quando foi dormir, estava tão cansada…

Um dia, Ela se encontrou com seu Anjo. Por puro acaso, se esbarraram em um shopping:

“Oi, Amiga. Nossa que sorvete lindo! Mas e o projeto da barriga sarada?”

A colher que estava no ar indo em direção à boca parou.

Ela ficou visivelmente desconcertada, olhou para os lados e, depois de pensar alguns segundos sobreo que responder, disparou:

– Estou na TPM, tô merecendo um pouco de glicose. Amanhã eu malho isso.

Seu Anjo sorriu sem gracinha também:

“Então tudo bem. Estou indo nessa.”

Foi embora.

Ela ficou ali, afogando-se no sorvete e fazendo as contas, lembrando quantos dias já estava sem fazer absolutamente nada do que havia planejado.

Enquanto pensava chegou uma mensagem no grupo:

Bonitinha, cheia de florezinhas e passarinhos dizia assim;

“Enquanto você continuar fazendo tudo igual, não terá resultado diferente.”

Abandonou as duas últimas colheradas de sorvete.

Àquela noite Ela foi à academia, estudou uma hora de Português, aprendeu 10 novos taquigramas.

Foi dormir mais tranquila.

Dormiu pensando em seus objetivos e teve um dia produtivo para alcançá-los.

Na semana seguinte, tudo foi às mil maravilhas.

Mas, no domingo, foi a um churrasco e saiu à noite com alguns amigos.

Chegou tão cansada que capotou sem pensar em nada.

Quando chegou a sexta-feira, se deu conta de que não fizera nada sobre nada.

E, assim, esquecendo e lembrando, quando Ela se deu conta, o mês de março estava terminando.

Engraçado a passagem do tempo.

Ele vai caladinho e feito mineirinho, sem fazer qualquer alarde, segue seu rumo sem nem querer saber se você está caminhando ou parado à beira do caminho.

E, desse jeito quietinho, quando Ela se deu conta, faltava uma semana para março acabar e sua barriga havia crescido e seus conhecimentos sobre Português e taquigrafia não haviam acompanhado o mesmo ritmo.

Foi um susto.

Ela correu no grupo, fez uma enquete rápida e descobriu que, das cinco duplas formadas, apenas uma estava chegando ao fim do trimestre alcançando seus objetivos.

“Contem para mim como vocês conseguiram?”

Eles foram contando, contando e, ao fim, Ela descobriu que, para conseguirem inserir as novas atividades à rotina, o segredo era pensar em cada um dos detalhes do dia seguinte antes de dormir e, no outro dia, antes de fazer qualquer coisa, realizar as atividades relacionadas aos propósitos a serem alcançados.

Foi aí que Ela parou para olhar para si mesma e convidou seu Anjo para uma conversa.

Depois de confessar seus “pecados”, relatar seus planos, escutou:

E quanto à história de “Um ano em um trimestre”?

“Descobri que, para mim, não dá certo.”

– Por quê?

“É muito tempo. Um trimestre é muito tempo pra mim, eu me perco. O meu negócio tem que ser dia a dia, no máximo, semana a semana.”

– Vai tentar de novo?

“Claro! Vou sim.”

E foi desse jeito que Ela revelou como seria seu novo formato, afinal havia definido uma rotina, acreditava que seria mais fácil.

– Já sabe o que vai fazer de diferente?

“Sei sim.”

– Pode contar?

“Posso! Vou deixar tudo arrumado na noite anterior e, quando  amanhecer, não importa o que eu tenha de fazer nem o quanto de preguiça toma conta de mim, as primeiras atividades do dia serão as que dizem respeito ao meu objetivo.”

– Os objetivos mudaram?

“Alguns.”

– Pode me contar?

“Hoje não, mês que vem.”

E foi assim que Ela, em vez de se render mais uma vez à auto sabotagem, fez um alinhamento de rota e continuou.

Parece que mês que vem volta para contar o que aconteceu.

 

 

 

 

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