Arquivos de Maio 7th, 2018

O ar entra, circula e sai. Até que um dia, por um motivo ou por outro deixa de fazer o caminho de sempre.

 

Semana passada disse tchau mais uma vez.

Uma pessoa que fez parte da minha vida por muito tempo.

Na comunidade em que vivíamos ela ocupava um papel de liderança, de destaque.

Em tudo  que acontecia, ela estava ali.

Voz potente, liderança marcante.

Não era próxima a mim, era próxima aos meus.

Mas, um dia, não sei por que, não sei para que, ela resolveu  que era hora de morar em outro lugar.

E foi.

Depois que saiu da comunidade que dividíamos, pouquíssimas vezes nos encontramos.

Sei dizer a última vez que a vi.

Parecia feliz.

Faz muito, muito tempo.

O fim veio rápido.

Inesperado.

Sem que ninguém quisesse.

Sem que ninguém nem sonhasse.

E, quando a hora do adeus chegou, a trouxeram de volta.

E, ali, na hora de darmos a ela o adeus, olhei em volta e vi a comunidade que eu, assim como ela, um dia deixei para trás.

Estavam todos ali: pessoas que me viram crescer, pessoas com as quais cresci, pessoas que vi crescer.

Olhei em volta e me deparei admirada com a minha história no rosto daquelas pessoas.

Professores, líderes, colegas, amigos, conhecidos de longa data, tios, primos…

Todos ali, reunidos em um mesmo lugar.

No lugar onde nos lembramos sem rodeios que o ar que está entrando e saindo agora pode sair e não voltar nunca mais.

E, enquanto os via, ia me lembrando de todas as coisas que vivemos juntos.

Com muitos deles vivi muitas, muitas coisas.

Com outros, poucas, passageiras.

Com alguns aprendi, viajei, sonhei, realizei, chorei, brinquei.

De outros fui madrinha de casamento.

De uma, quase fui daminha. Adoeci na semana.

E, depois de tudo que tinha vivido, resolvi me afastar.

Construí laços por perto, mas não tão perto a ponto de os antigos e novos se entrelaçassem.

Afastamento.

Opção.

Mas olhando todos ali, diante da finitude da vida, senti saudades.

Saudades de tudo que vivi com eles.

Saudades das coisas que poderíamos ter vivido se eu não tivesse optado por me afastar.

Vontade de voltar?

Melhor continuar de onde a gente está, enquanto o ar ainda entra, circula e sai.

 

 

 

 


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