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Plenitude talvez seja o anseio de todo coração.

Viver tudo que se pode daquilo que se tem.

Ir a fundo.

Ir além.

Em cada situação, amor, alegria, felicidade, realização, desalento, dor, luto.

Ir a fundo.

Em cada fase, em cada etapa, tudo que há.

Tudo que é lícito, puro e bom a fim de se resguardar das consequências adversas trazidas pelo exagero.

Plenitude.

Voar e, enquanto se voa, planar, bater asas, passar por tranquilidade e tempestade.

Vivendo assim cada detalhe do plano de voo.

Plenitude na vida.

Propor-se e cumprir seus propósitos.

Luta, sacrifício, vitória.

Mudança de rota e, no novo caminho, novamente aprofundamento, novamente conquistas mil.

Desalentos e lágrimas virão.

Mas, como tudo, passará.

Quem não vive a plenitude, quem não se aprofunda, só tem amostra grátis da vida.

Só por hoje, seja pleno!

 

 

Quando criança, você conheceu Jeannie é um gênio?

Um geniozinho lindo que perseguia seu amo, o Major Antony Nelson, atrapalhando sua vida, mas querendo sempre agradar.

Não foram poucas as vezes em que invejei seus poderes em resolver problemas instantaneamente.

Imagine?

Quando ela se deparava com um desafio doméstico, por exemplo, como a casa desarrumada, um jantar a ser feito, ou roupa a ser lavada e passada, ela simplesmente esticava os braços cruzando os ante braços sobre eles,  jogava seu rabo de cavalo para frente e para trás e, imediatamente, tudo ficava como ela queria.

Simples assim.

E se a vida fosse assim?

Joga o cabelo e tudo acontece?

Ah! Quem nos dera.

Digo nos dera por saber que você também adoraria mexer os cabelos e ter a casa arrumada, as crianças dormindo tranquilas, as contas pagas e a vida girando azeitada.

Mas e a magia do processo?

É, a magia das conquistas diárias, dos desafios vencidos?

A magia de ir aprendendo, conquistando, ver o difícil ficando fácil dia a dia.

E o encanto que traz valorizar o próprio esforço, trabalho do outro.

É verdade que a gente quer sempre resolver todas as pendengas da vida de um jeito rápido e mágico como a Jeannie, mas acredite, o processo para se chagar ao “tudo pronto” faz com que você se torne melhor!

 

 

 

Gosto de utensílios domésticos.

Coisinhas de cozinha.

Amo passear por aquelas lojas onde as prateleiras exibem mil e uma coisas graciosas que tornam o coração da casa mais charmoso.

Nos grandes shoppings, lojas especializadas mostram cores e modelos variados de instrumentos que  prometem facilitar a vida de quem ama fazer delícias.

E tem cada coisa interessante.

São panelas coloridas, cortador disso e daquilo, potes, batedores, espátulas, formas com fundos que vão e ficam, pincéis, tesouras, pratos, xícaras com seus pires combinando…

Sempre achei os pires um espetáculo à parte.

Acessórios que graciosamente combinam com suas xícaras.

Rasinhos na medida certa cumprem papel importante quando vamos nos deliciar com aquela bebida quente.

Imagine só você servir o cafezinho às suas visitas sem o pires?

Queima a mão, mancha o móvel, derrama o líquido.

Para evitar tudo isso, para ser base de apoio, lá está ele.

Engraçado que a sua profundidade é a ideal: pouquinha, discreta, suficiente.

Ele tem a profundidade certa para delimitar até onde a xícara pode correr, mostrar a ela seus limites.

Sempre pensei que as pessoas que não se dedicam àquilo que fazem e ficam na superficialidade de tudo na vida poderiam muito bem ser ditas profundas como um pires, mas vejo agora que não.

O pires tem a profundidade certa para cumprir todas as suas atribuições.

Eles fazem tudo, seu máximo.

Tenho de arranjar agora um outro comparativo para quem vive na superficialidade da vida.

Ou não.

Melhor me deter onde há profundidade, onde existem mil e uma possibilidades…

Agora faço caminhada.

Todas as manhãs.

De todo o meu coração, eu odeio caminhadas.

Mas, por mil e um motivos, esse é o único exercício que tenho conseguido fazer ultimamente.

E, por ser a única opção, tenho me dedicado.

Não sem reclamar.

Todo dia, acordo, visto a roupa e vou.

Ainda estou em processo de aprendizagem, mas as coisas que não me são tão caras faço nas primeiras horas do dia.

Eu poderia, como a maioria das pessoas que moram aqui “dar a volta no Guará”, mas a coragem não me deixa andar assim tão longe.

Essa “volta” é um circuito de aproximadamente 8km onde se dá a volta teoricamente no bairro inteiro.

Acontece que eu tenho preguiça, muita preguiça de chegar a um ponto do caminho e estar muito longe de casa e não ter como simplesmente voltar.

É que, quando chega a esse  ponto “longe de casa”, existem as seguintes opções: telefonar para alguém ir te resgatar ou continuar a caminhada. Não há como abortar a jornada.

Então, para evitar tal sofrimento, decidi ficar aqui perto.

Faço a caminhada matinal sem perder minha casa de vista.

É que,  aqui em frente, tem um circuito de 700m!

O que faço eu?

Fico, feito um peru bêbado, rodando esse percurso!

E, para me ajudar, eu ainda ando com uma fitinha na mão.

Para mim, a primeira volta é difícil, muito difícil.

Começo resmungando, reclamando e, na primeira vez em que passo em frente à minha casa, a vontade que tenho é declarar que já andei tudo que havia proposto para aquela manhã e entrar.

Mas aí lembro que minha fitinha não tem nenhum nó!

Para me obrigar a dar seis voltas,  a cada vez em que passo em frente de casa, dou um nó na fitinha.

Quando ela tem seis nós, dou mais uma volta.

A última é a volta bônus. Nela passo pelos homens mais bonitos e cheirosos do Guará, vejo belas paisagens, pássaros incríveis, carros extraordinários.

Vejo mesmo?

Claro que não!

Nela nada acontece de especial, mas falo isso para dar mais uma volta e permanecer empolgada.

Empolgada sim, porque, depois da primeira metade da primeira volta, que é a parte mais chata, eu começo a aumentar o passo e, quando termino o primeiro trecho, onde corro um pedacinho e dou o primeiro nozinho na fita, começo a gostar.

Quando começo a gostar, rapidinho a fita se enche de nós.

Por isso, todas as manhãs, saio mesmo reclamando e dou o primeiro passo, por que o  muito chato fica legal ao longo do caminho!

 

 

 

Hoje dá para fazer.

Só hoje.

Hoje, além de planejar, não dá para fazer nada por amanhã.

Por ontem, nem hoje, nem amanhã, nem nunca mais.

Qualquer coisa, fácil ou difícil, se for pra ontem, de ontem nada pode ser mudado.

Nem ontem, nem amanhã.

Já hoje…

Hoje, só hoje, só por hoje dá para fazer tudo.

Qualquer coisa!

Mas só hoje.

Antes não tem jeito, nem depois.

Por isso, aproveite o hoje, pois nesse dia é que você pode tudo!

 

 

Ela olhou no espelho e não gostou do que viu

O peso não era aquele que a fazia feliz, nem a pele que a cobria, nem a roupa que vestia.

Nada o que via a agradava de maneira real.

Era preciso mudar.

Era preciso decidir mudar.

Foi à cozinha e lá encontrou todo o combustível que construíra seu peso até ali.

Ajuntou tudo em uma sacola e deu um nó:

“Vocês, a partir de agora, não fazem mais parte da minha vida.”

Parou, refletiu e se lembrou:

“Preciso não só mudar de peso, preciso também mudar de emprego.”

Sentou-se em frente ao computador, reformulou seu currículo, escreveu o mais lindo dos e-mails e mandou para todos os seus contatos.

“Ainda esse mês estarei de casa nova.”

Foi ao seu quarto e começou a tirar do guarda-roupa tudo que ainda não havia usado aquele ano.

Tirou, em menos de meia hora cinco sacolas de roupa e uma de sapatos:

“Não adianta guardar o que nunca vou usar.”

Foi à cozinha e encheu aquela garrafinha há muito esquecida:

“Vou tomar quatro dessa todos os dias.”

Sentou-se e escreveu cinco resoluções que fariam parte da sua vida dali por diante.

Depois, registrou sua resolução:

“Decido fazer o que tem de ser feito, decido abandonar tudo que não me faz bem para que possa ter uma vida melhor. Não a vida inteira, apenas hoje.”

E assim, decidida lá foi ela, trabalhar para ter a vida que sempre sonhara ter, um dia de cada vez.

 

 

 

 

 

 

Todas as tardes, faltando 10 minutos para as 16h, a Tia ajudava sua turminha a guardar todo material.

Eles fechavam os vidros de cola, devolviam os lápis para os potes no centro das mesas, recolhiam os papéis que estivessem no chão.

Quando faltavam dez minutos para a música tocar, anunciando aos quatro ventos que era hora do lanche, aquele tanto de gente pequena formava duas filas: uma de meninos e outra de meninas.

Já era o mês de maio, todos já haviam aprendido seus lugares no trenzinho.

A fila para aquela turminha era um espetáculo à parte.

Todos eles foram alinhados no primeiro dia de aula:

“Olhem queridos, quando todos forem sair da sala ao mesmo tempo, sairemos assim: um atrás do outro para não nos perdermos. Veja quem é o amiguinho que está à sua frente, veja quem é seu amiguinho que está atrás de você. Todas as vezes em que fizermos fila, você deverá estar à frente e atrás dos mesmos amiguinhos. Tudo bem?”

Todos concordaram.

Naquela ocasião, quando a fila foi feita a primeira vez, lá em fevereiro, eles foram ordenados do maior para o menor quase que milimetricamente.

Agora, indo longe o mês de maio, a fila mais parecia ser de dentes de um crocodilo: criança menor atrás de criança maior, maior na frente de menor. Uma festa!

Alinhar a Tia até já tinha tentado, mas foi tanto choro e desespero quando eles descobriram que o coleguinha da frente ia ter que mudar de lugar e que o de trás também, que ela desistiu.

E foi assim que a turma do Maternal I passou a ser conhecida como Croc, de crocodilo.

Todos os dias, no horário de sempre, lá iam os pequenos dentes de crocodilo ao banheiro.

Chegando, eles esperavam bonitinhos a hora de lavarem as mãos.

É que ainda não conseguiam tirar toda a cola, tinta e afins das pequenas mãozinhas.

Diariamente, a Tia lavava as mãos de um por um enquanto falava da importância de comerem com as mãos lavadas e absolutamente limpas. Afinal, não havia problema em se sujarem enquanto trabalhavam, mas era preciso mãos limpas na hora do lanche.

E, assim, a Tia lavava caprichosamente entre os dedinhos, esfregava delicadamente as palmas e costas de cada uma daquelas mãozinhas gordas e rechonchudas.

Depois, enxugava com o mesmo carinho e os conduzia para a fila novamente.

Todos os dias, a Tia chegava ao banheiro com as mãos tão sujas quanto as de seus alunos.

Após cuidar carinhosamente de todos os pequenos ela simplesmente secava as próprias mãos.

Não tinha o que limpar, enquanto fazia pelos pequenos, também fazia por si.

“Mostrem as mãos!”

Todos esticavam os bracinhos com as mãozinhas espalmadas.

“Todas as mãos limpas?”

– Sim – respondiam as crianças alegremente.

“Então, vamos lanchar.”

 

 

 


Acredito, sinceramente, que toda mulher, ao tornar-se mãe, transforma-se na Mulher Maravilha.

Geralmente, a descoberta acontece quando seu corpo apresenta umas estranhezas nunca antes apresentadas: um enjoo aqui, um inchaço ali, uma azia acolá.

Quando a “amiga” que tinha dia certo para chegar simplesmente não aparece, vem a certeza: Ela virou Mulher Maravilha!

Quando a certeza chega, a alegria é tanta que Ela passa por todas as transformações com um sorriso tão lindo, com um brilho no olhar tão encantador que quase nem se lembra de que, dali para frente, nada será como antes.

Depois de 9 meses em que passa recheando-se cada dia um pouco mais, sofre horas, muitas vezes horrores, para ver enfim seu coração em forma humana batendo fora do peito.

Carinha de joelho, amarrotadinho, inchadinho, feinho o bichinho de dar dó. Quando colocam em seus braços, passa a ter ali o mais lindo dos mundos, o mais completo e perfeito mundo!

E de Mulher Maravilha, que recebeu de Deus o dom de gerar uma vida, torna-se leoa, capaz de enfrentar tudo e todos por aquele ser tão pequenino e indefeso !

Torna-se capaz de fazer o inimaginável, capaz de transpor os maiores obstáculos, fazer todo o qualquer sacrifício por quem fez que ela conhecesse o amor verdadeiro.

Mãe.

Mulher Maravilha capaz de curar todas as dores, sarar todos os ais e resolver todo e qualquer problema.

Mulher dotada de sabedoria e perspicácia, com visão além do alcance e radar com exatidão milimétrica.

Mulher maravilhosa que ensina a amar, amando 24 horas por dia, que tem sempre o conselho sábio, a palavra certa na hora exata.

Mãe Maravilha, aquela que um dia teve seu corpo transformado, coração moldado por amor eterno e grandioso capaz de guiar e orientar por toda a vida.

Gratidão eterna à Mulher Maravilha da vida de cada um.

 

 

 

E são tantas reclamações.

Do povo, do governo, da seca, da chuva, da poeira, do calor, do frio.

Tanto disse-me-disse que Fulano fez, Beltrano deixou de fazer.

Mas, hoje, no caminho, encontrei flores.

Orquídeas lindas plantadas em uma árvore frondosa.

Ali, no caminho para a padaria, perto da escola da quadra.

As pessoas indo e vindo e elas majestosas, destemidas.

Mas são tantos os problemas, tanta corrupção, poluição, chateação.

Tanta coisa que não presta.

Mas, nessa semana ainda, encontrei um moço plantando, regando, podando e cuidando das mudas das árvores em um canteiro do bairro.

Eu já falei duas outras vezes de homens que cuidam de mudas de árvores aqui no meu bairro. Eles estão bem aqui, são mais de dois e trabalham para deixar o lugar mais bonito.

Existem pessoas aqui e aí que respeitam filas, não sentam em lugar reservado para idoso, deficiente e não tentam dar um jeitinho.

Mesmo que possa não parecer, existe gente que se lembra de todos os seus atos, assume suas responsabilidades e cumpre seus deveres.

Quando tiver vontade de se desesperar, respire fundo e lembre-se de que existe bem aí, na sua rua, gente que faz a diferença, planta flores por onde passa.

Então, só por isso e para isso, vale a pena continuar.

 

 

E aí você acorda e vê que o tempo passou.

O que imaginou que sempre seria não mais o é.

As pessoas que pareciam fincadas ao seu lado como árvores frondosas, que jamais do lugar conhecido sairiam, simplesmente se foram.

E quem ainda está não ficará.

O rosto de todos à sua volta também mudou.

Cabelos mudaram de cor, olhos tornaram-se marejados, silhuetas aumentaram, a pele afinou.

O que parecia eterno não existe mais.

O tempo como o vento não se deixa segurar, ele simplesmente vai.

E, quando você vê, o certo deixou de existir.

E, quando você se vê, nem mais sua própria pessoa é o que um dia foi.

Quando então se dá conta de que as folhas do outono já formam uma grande montanha, afinal se juntaram com todas as outras que caíram ao longo do tempo.

Quando tudo o que era presente torna-se passado, a opção é olhar para frente.

Encarar o tempo que virá e caminhar.

Apreciar as cores, os sons da estrada, a brisa ininterrupta e continuar.

O que foi não retorna, mas o mundo inteiro oferece, a cada  dia, milhares, milhões de possibilidades; levante a cabeça, abra olhos e ouvidos, afinal,  o melhor ainda está por vir!

 

 

 

 

 


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