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Em 2011 meus amigos resolveram se tornar pais. Não sei se foi combinado, acredito sinceramente que não, mas que foram quase todos em um ano só, isso foi.

Quer ver, vou tentar reproduzir aqui o nome  de quem mora no meu coração e  teve bebê ou começou a espera esse ano.

Loyana, Waguinho, Giane, Paulinha, Cibele, Hélio, Ló, Érica, Daise, Taciane, Lorena, Myrla, Fernanda.

Acredito sinceramente que esqueci alguém!

Alguns desses ainda estão grávidos. Uns pra ganhar a qualquer momento, outros nos próximos dias e uma delas ainda pode passar como se tivesse apenas um coração dentro de si.

Fico brincando com o fato de que não vou ficar, de que sou a própria tia. Afinal, isso é um privilégio!

Tanta gente nova nos traz momentos emocionantes e felizes, mesmo quando o contato é menor que gostaríamos.

Ontem me sentei ao lado da Ló e pude brincar com seu bebê mesmo dentro da barriga.

Foi delicioso ficar fazendo carinho na barriga dela e senti-lo mudar de posição, vendo a barriga tomar formas diferentes. É incrível! Pra gente que acompanha de longe o processo de “feitura” de uma pessoa, ver essa performace que ela faz em um espaço já tão pequeno é simplesmente mágico.

Aaa também vi a filhinha da Giane ainda dentro dágua. Eu, ela e o médico fizemos tanto barulho, um escândalo tão grande na sala da ecografia que uma enfermeira veio ver se estava tudo bem. É isso mesmo que você escutou, o médico também fez farra conosco. Ele certamente é um maluco contido, aí encontrou duas malucas declaradas e gostou da ideia.

E hoje a tarde, a caminho do almoço, fui interagindo com a Alice. Ela é filha do Waguinho e da Lili.

Nos dias antes de seu nascimento eu vigiava o pai dela no trabalho. Ligava pra ele toda hora, procurava no Spark. Pq? Ué, ele estando lá era sinal claro que ela permanecia dentro da barriga.

Até que um dia ele estava e de um minuto para o outro não estava mais… E isso tem quatro meses.

Hoje sentei ao lado da cadeirinha da Alice para ir ao almoço e antes de saírmos do estacionamento ela dormiu.

Coloquei o cueiro em cobrindo suas perninhas e por incrível que possa parecer não acompanhei seu soninho bom.Quando estávamos quase chegando ela acordou. Ficou de boa.

E bem nesse momento entrei em ação. Eu, com todo o tato que tenho com criança, confesso a você que não é lá grande coisa, comecei a macaquear pra Alice.

Fiz todos os sons que conhecia, apertei bochecha, peguei no nariz, beijei, enfim, fiz de tudo e ela nem me olhou.

Assim,  não mexeu um músculo do rosto, muito menos os olhos. Você pode pensar que havia algo muito interessante pra chamar sua atenção. Não! Ela estava na cadeirinha do carro e completamente concentrada apesar de todas as minhas investidas.

A Lili ao ver minha frustração disse que é assim mesmo, que em alguns momentos ela fica concentrada em seu próprio mundo encantado e não olha pra ninguém.

Fiquei pensando na delícia da vida e de como as pessoas mesmo assim tão pequenas já são diferentes entre si e especiais em sua individualidade.

Queridos que acabaram de chegar e estão por vir, sejam bem vindos. A vida é uma grande festa!

Beijos,

Tia Vivian.

Tia Nezinha morreu.

Foi essa madrugada.

Ela já estava na UTI há alguns dias, e essa noite não suportou.

Dormiu.

Tia Nezinha, minha tiazinha foi a pessoa mais doce que já conheci. Costumo dizer que ela era pura, singela como uma florzinha do campo.

No segundo semestre de 1987 mudei de escola. É que Vítor ia nascer e eu precisava ficar mais perto de casa.

Na época a escola que eu fui era pequena e fazíamos Educação Física ao lado dela, em uma área verde. Nessa área tinham umas florzinhas bem miudinhas, amarelas. Pareciam que tinham sido feitas com uma pétala só, enrroladinha. Linda, singelinha. A tia Nê.

Ela era assim: discreta como aquela florzinha e linda, lindinha.

Observadora… Sabia diferenciar o certo do errado de longe.

Me lembro uma vez que eu, morta de paixão, mostrei a ela a foto do meu amado. Ela olhou rapidinho e disparou:

“Minha filha, arruma outro”

Eu tonta, defendi o moço e fui viver minha paixão. Me lasquei! Se tivesse ouvido aquela vozinha mansa tinha evitado tanta coisa…

Ela observava e sabia tudo sobre tudo. Quietinha, caladinha, era sábia, muito sábia.

Assim como tenho saudades gigantes do tio Clemente vou sentir muita falta da tia Nezinha, minha tiazinha.

Toda vez que me via ela me abençoava e falava que estava orando por mim. Isso não tem preço, nem quem substitua.

Por isso fica a lição do dia:  Cuidar e curtir as pessoas amadas. Isso tem que ser feito hoje e todo dia.

Vou sentir saudades.

Mas é só por um tempo.

Beijos pra você que me visita.

Passei pelas mudinhas ontem e hoje. Estão secas e tristinhas. O moço do carro das bolinhas desapareceu.


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