Posts Tagged ‘entrada triunfal

Tem coisa nessa vida que só acontece comigo! Tipo encontrar um homem lindo no elevador, ele vir cheio de graça, a porta se abrir e eu sair correndo.

Só eu nessa Terra inteira sou capaz de fazer tamanha insensatez.

Nem sei por onde começar, pq o ódio que habita esse coração é tão grande que se eu me detiver nos detalhes sou capaz de explodir.

Fui com a Lili resolver um problema em um prédio desses de muitos andares. Entramos no elevador querendo subir e ao invés disso descemos.

Que droga! Desceu!

Desceu e foi pro último andar da garagem.

Pronto! Isso era tudo que estávamos precisando. Além de estarmos atrasadas esse bendito vai pra bem abaixo do térreo e ainda abre a porta pra ninguém. Fecha porta, fecha.

E a Lili tá que aperta o botãozinho pra fechar.

Quando ela tava quase conseguindo eis que surge uma mão entre as portas.

Foi parecendo aqueles comerciais em que o modelo vem desfilando devagar e faz aquela entrada triunfal.

O moço tava vindo em direção ao elevador e quando viu que a porta ia se fechar apertou o passo, no último segundo interrompeu a “fechadura” e adentrou os portais do elevador.

E que moço…

Moreno, alto, sorriso lindo, dentes perfeitos, cabelo liso…

Entrou, sorriu.

O elevador subiu. Enfim.

Parou.

Entraram três mulheres.

Eu tenho uma mania. Alguns insistem em chamar de TOC, mas eu juro que é uma mania simples: tirar cabelo da roupa das pessoas.

É assim: se a pessoa está de costas pra mim e tem um cabelo na blusa eu vou, analiso rapidamente a posição em que o fio se encontra e se estiver posicionado de um jeito que eu consiga tirá-lo sem encostar na pessoa vou lá e tiro.

Sempre dá certo.

Um jeito simples e discreto de me divertir, além de prestar um serviço a um nobre desconhecido.

Uma das mulheres que entrou tava com as costas cheia de cabelos.

Eu fiz a análise instantânea e comecei a tirar os fios.

E para minha surpresa o bonitão me acompanhou!

Nunca, em toda minha vida tinha visto uma dupla de trabalho ser formada de maneira tão instantânea. Foi rapidinho, entre um andar e outro limpamos as costas da mulher inteira e ela nem notou.

Quando terminamos olhei pra ele, comemoramos o sucesso da parceria e demos risada.

Tudo em silêncio, sem que e a beneficiada notasse.

As portas do elevador se abriram e eu sai.

Esperei que ele saísse e fomos conversando até que encontrei a sala para onde tinha ido. Na despedida trocamos telefone e ele ficou de me ligar.

Foi isso que aconteceu?

Não! Não foi isso!

As portas do elevador se abriram e eu sai com a Lili. Ele desceu no mesmo andar e seguiu pelo mesmo corredor.

As duas marmotas, Bianca e Lili que desceram na frente foram andando em desabalada carreira.

Os filhotes de mamute que atendem por Bi e Li saíram correndo até encontrarem a porta desejada e entrarem desesperadas, sem ao menos olharem pra trás. Nem dizer tchau as criaturas do pântano não disseram! Não tem nem bicho assustado que nã se ofenderia se fosse aqui comparado.

Foi mal marmotas e mamutes, eu não quis ofender.

Acho que anta cai bem pra minha pessoa. Afinal tinha acabado de fazer um trabalho de equipe com eficiência comprovada e nem disse tchau.

Eu podia ao menos ter falado tchau. Ao menos um sorrisinho uma demonstração de que sou uma pessoa educada… Mas nada, nadinha.

Não é preciso falar mais nada né?

O ódio expresso no começo já define muito bem meu estado de espírito.

Vou dormir.

Revoltadamente, Bianca.


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